Se você passar pela Janelinha num fim de manhã, vai ver cenas assim: um grupo de pés descalços explorando uma poça de lama depois da chuva, outra criança escolhendo, sozinha, se aconchegar no cantinho de leitura com um livro, alguém observando os colegas antes de decidir entrar na brincadeira. Para quem olha de fora, pode parecer só diversão. Para nós, é o trabalho mais sério da infância.
O brincar livre — aquele que não tem regra pronta, nem resultado esperado por um adulto — é a forma mais completa que a criança tem de pesquisar o mundo. É brincando sem roteiro que ela testa limites do próprio corpo, aprende a negociar com o colega, erra, tenta de novo e descobre que consegue. Nenhuma instrução verbal ensina isso tão bem quanto uma tarde de brincadeira sem interrupção.
O brincar é linguagem, é pesquisa, é a forma mais séria da criança conhecer o mundo.
Por isso, na Janelinha, o tempo de brincar livre não é "o momento entre as atividades" — ele é a atividade. Organizamos os espaços (áreas externas, lama, cantos de leitura e exploração) para que a criança possa escolher, se arriscar dentro de limites seguros e voltar quantas vezes quiser ao que mais desperta sua curiosidade naquele dia.